Cirurgia Ortognática

Cirurgia Ortognática e o medo de sofrer no pós operatório PARTE II / Cirurgias da MAXILA

Cirurgia Ortognática e o medo de sofrer no pós operatório PARTE II / Cirurgias da MAXILA

Dando continuidade na série de posts sobre a cirurgia ortognática e a insegurança de realizar esse procedimento decorrente do desconhecido, descreverei as principais considerações quanto ao pós-operatório de cirurgias da Maxila.

A cirurgia ortognática muitas vezes é realizada de forma combinada, ou seja, operando a mandíbula e a maxila em conjunto, para melhores resultados serem obtidos do ponto de vista funcional (mordida) principalmente e estético (aparência). Em alguns casos, somente a maxila é operada, isso significa que poderá ser mobilizada tridimensionalmente na posição mais adequada segundo o planejamento prévio (para cima, para baixo, para frente, para trás, ou para os lados).

Algumas considerações pós-operatórias são específicas para cirurgia de maxila, lembrando que várias considerações gerais já foram abordadas na Parte I dos posts sobre o assunto. (inserir o link com o outro post).

Dificuldade para respirar

Os seios maxilares, localizados próximos aos ossos da maxila, são violados, ou seja, quando realizados os cortes ósseos em maxila, a mucosa do seio maxilar é rompida, por consequência, existe sangramento natural dentro do seio maxilar que se torna preenchido por sangue. A dificuldade de respirar está no fato de que o seio maxilar está congestionado, da mesma forma que também apresentamos dificuldade para respirar quando temos sinusite maxilar. Na sinusite o seio maxilar é preenchido por secreção e não sangue.

Medicações como descongestionantes nasais, no período pós-operatório são importantes, uma vez que vão auxiliar o seio maxilar a lentamente recuperar sua função após ser desobstruído. É necessária muita paciência, por parte do paciente. Costumo dizer que este item talvez seja um dos piores, pois o desconforto que a dificuldade respiratória pode trazer ao paciente é maior que a dor sentida.

Pacientes ansiosos principalmente, necessitam de orientação prévia a respeito desta consequência em cirurgia de maxila.

Sangramento nasal

Conforme explicado acima, a mucosa do seio maxilar é rompida levando a sangramento no interior do mesmo. Geralmente no pós-operatório imediato é normal persistir algum sangramento de pequena quantidade. Lembrando do fato de que o seio maxilar se comunica com a cavidade nasal, é esperado que o excesso de sangue saia pelas narinas a depender da movimentação da cabeça realizada pelo paciente após a cirurgia.

Nos dias subsequentes à cirurgia, é normal ocorrer saída de sangue coagulado (escurecido) pelo nariz. O sangue que preencheu o seio maxilar coagula e quando não reabsorvido é expelido pelo nariz.

Alguns pacientes que apresentam desconforto respiratório excessivo decorrente de congestionamento sinusal por sangue, necessitam de lavagem das narinas com soro fisiológico, que podem ser realizadas em casa, ou no consultório durante os retornos.

Edema

Cirurgias na maxila levam a edema (inchaço) significativo, ou seja, geralmente os pacientes apresentam grande edema principalmente em lábios superiores e na região paranasal (lateral ao nariz). A recomendação inicial para ajudar a reduzir o edema na região é gelo nas primeiras 48 horas após a cirurgia.

Alguns pacientes por perceberem que o gelo traz uma sensação de conforto acabam utilizando em demasia, o que não é indicado. Após 4 a 5 dias após a cirurgia compressas mornas podem ser realizadas com o efeito de auxiliar o organismo a reabsorver o edema da região. Se for utilizado gelo após o período prescrito a tendência é manter o edema na região, permanecendo inchado por mais tempo.

Drenagem linfática facial é um procedimento coadjuvante de muita valia para reabsorção do edema em face, que pode permanecer por aproximadamente 6 meses a depender de cada caso e cada paciente.

Dormência

Na maxila o nervo que pode sofrer alguma alteração após a cirurgia é o nervo infra-orbitário. É um nervo sensitivo, ou seja, dá sensibilidade à pele, da região labial superior, paranasal podendo se estender para pálpebra inferior. De uma forma geral os pacientes não se queixam desta dormência, que lentamente vai se recuperando, sendo perceptível por sensações de formigamento por exemplo.

É de extrema importância que estas recomendações e orientações sejam passadas ao paciente antes da cirurgia, visto que são inerentes ao procedimento, ou seja, são esperadas. Sabendo o que você poderá esperar no pós-operatório, é muito mais fácil se submeter a qualquer tipo de cirurgia ortognática. O que não pode acontecer é você deixar de fazer algo que pode melhorar muito a sua qualidade de vida por desconhecimento e medo do procedimento.

Finalizo lançando a pergunta: Conhecendo todas as considerações à respeito da cirurgia o que você poderá fazer nessa semana que te aproximaria de realizar sua cirurgia ortognática?

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como Cirurgiã Bucomaxilofacial em São Paulo

Espero poder ter auxiliado

Grande abraço

Dra. Maximiana

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Cirurgia Ortognática – o que é?

Cirurgia Ortognática – o que é?

Neste post vamos falar sobre a famosa cirurgia ortognática. Você deve estar pensando: “Mais um nome esquisito além do nome da especialidade, aquela tal de cirurgia bucomaxilofacial! ”

O que é Cirurgia Ortognática?

O termo ortognática vem das palavras gregas Orthos que significa direito, reto, exato e Gnathos – maxilar, ou seja, para nunca mais esquecer o que é esse procedimento: trata-se de uma cirurgia para deixar o seu maxilar em uma posição exata.

Mas o que é uma posição exata do maxilar ou dos maxilares (maxila e mandíbula)? Aí temos alguns critérios que variam desde análise facial até a análise da mordida que irão definir se a relação óssea – dental está adequada ou não, muitas vezes o próprio paciente já sabe que algo não está correto com ele mesmo, pois é visível (pode-se notar na própria face) ou perceptível (tem a sensação de que não está mordendo adequadamente ou até mesmo dor).

O ser humano é dotado de variações genéticas que fazem com que sejamos diferentes uns dos outros, graças a essas variações, uma pessoa é mais alta, outra mais baixa em estatura, uma tem ombros mais largos, outra tem ombros mais estreitos enfim, com a face não seria diferente. Uns nascem e desenvolvem uma mandíbula maior, outros desenvolvem uma maxila que cresce demais verticalmente, outros desenvolvem a mandíbula menos do que deveria e com isso vem as consequências estéticas e funcionais como a aparência de um queixo muito grande, de um sorriso que mostra gengiva demais, de dentes da frente que ficam muito mais aparentes que os outros, etc…

Os tipos de deformidades dentoesqueléticas ou dentofaciais, (aí você está pensando: “que nome horroroso esse de deformidade”, pois é, se partirmos do princípio de que o que não está correto em sua posição, está fora ou em “não conformidade” ou em “deformidade” do que deveria estar na posição exata o termo aqui é bem utilizado) variam muito, podendo ser elas de diferentes tipos em diferentes padrões de desenvolvimento num cenário que é tridimensional.

Para quem serve?

Como classificação geral para cirurgiões e ortodontistas e por curiosidade para vocês nós dividimos as deformidades da seguinte forma com base no perfil facial:

– Classe I: é o paciente que apresenta o perfil facial harmônico;

– Classe II: é o perfil côncavo onde observamos de uma forma generalista uma mandíbula que não se desenvolveu para frente o suficiente, você identifica esse paciente pelos dentes da frente mais para frente do que o normal;

– Classe III: é o perfil convexo que pode ser determinado ou por uma mandíbula que cresceu para a frente demais ou uma maxila que não desenvolveu o suficiente para acompanhar a mandíbula no sentido ântero-posterior (para frente ou para trás);

Com base no tipo de mordida:

– Mordida cruzada: podendo ser de um lado ou dos dois lados, geralmente ocorre por uma deficiência de crescimento látero-lateral da maxila, mas ela pode ser cruzada para a frente o que cai no mesmo problema da Classe III;

– Mordida aberta: determinada de uma forma generalista pelo desenvolvimento desigual em sentido vertical do mesmo maxilar;

Com base na análise frontal da face:

– Excessos ou deficiências de crescimento em sentido vertical dos terços da face: o mais notado de todos é o excesso vertical do terço médio da face onde o paciente mostra bastante gengiva dos dentes superiores durante o sorriso, o que geralmente incomoda bastante quem apresenta o problema;

– Assimetrias faciais: os maxilares se desenvolveram mais de um lado que do outro, tornando o sorriso ou a face torta para um lado.

De uma forma bem geral citei acima os principais problemas que podem levar à cirurgia ortognática para correção dos mesmos. Diagnosticado o problema, ou seja, descoberta a causa do que está te incomodando teremos dois caminhos a seguir: ou opera ou não opera.

Quando você opta por um e quando opta por outro?

Será que você precisa?

Antes de decidir por operar é importante que você converse tanto com um profissional especialista em cirurgia bucomaxilofacial como com seu ortodontista para entender exatamente os prós e os contras de fazer ou não a cirurgia, assim como compreender exatamente como funcionam os procedimentos e as etapas que deverão ser seguidas.

Alguns casos de deformidades dentoesqueléticas não são possíveis de tratar apenas com aparelho ortodôntico e muitas vezes o que acontece, é a indicação errada de não operar e COMPENSAR o paciente com aparelho, ou seja, vai tentar levar os dentes (sim os dentes porque as bases ósseas, o osso principal não sai do lugar se não pela cirurgia) para uma posição mais correta, como existem limitações da parte óssea a mordida nunca fica na posição que deveria ficar, os dentes algumas vezes sofrem reabsorções dentárias devido ao excesso de força ortodôntica, o paciente usa o aparelho fixo por anos e anos (mais de 5 anos) e nunca recebe alta do ortodontista e quando finalmente tira o aparelho nas muitas e muitas vezes os dentes voltam para uma posição longe da ideal, ou seja, recidiva.

Então, para que não ocorra erro no diagnóstico e na decisão de optar pelo tratamento apenas ortodôntico ou ortodôntico e cirúrgico é importante procurar várias opiniões a respeito do problema e esclarecer ao máximo todas as dúvidas que podem vir a existir.

Se a deformidade for LEVE e você optou por não operar, em algumas vezes, o tratamento compensatório ortodôntico poderá ser uma opção, mas você deverá estar ciente como já disse das vantagens e desvantagens de sua opção.

A cirurgia ortognática ainda é muito estigmatizada no Brasil. Preciso concordar que já foi um procedimento que causava um certo medo(Neste post você poderá entender melhor esse processo) no paciente que seria submetido ao procedimento, visto que a tecnologia utilizada num passado não muito distante era um tanto quanto rudimentar e o pós-operatório era extremamente difícil sendo necessário ficar dias com a boca travada. Nada comparado com o que temos hoje em termos de instrumentais cirúrgicos, sistemas de fixação com miniplacas e miniparafusos de titânio o que permite ao paciente um conforto maior no pós-operatório mediato. Mesmo assim o desconhecimento ou a lembrança do passado faz com que muitos profissionais não indiquem o procedimento, não dando ao seu paciente outras opções de tratamento além da ortodontia convencional.

É um procedimento realizado em ambiente hospitalar cirúrgico, com uma duração média de 3 a 4 horas, claro que esse tempo depende de muitos fatores como a dificuldade relacionada com cada caso, se a cirurgia é realizada em um ou dois maxilares por exemplo. Eu costumo dizer que na primeira semana o paciente lembra do cirurgião com bastante frequência, pois o desconforto é um pouco chatinho, desconforto este que se dá pelo edema (inchaço) que geralmente é grande e atrapalha algumas funções como deglutição e respiração.

Os pacientes não se queixam de dor, o que já é uma grande coisa. Mas a medida que os dias vão passando, o edema vai indo embora e as funções voltando ao normal, os enormes benefícios sejam estéticos (sim! Você tem a possibilidade de ficar mais bonito/a) sejam funcionais como morder adequadamente, respirar melhor (algumas cirurgias aumentam o espaço em que o ar passa), vão surgindo e aí o sorriso no rosto, a melhora da autoestima do paciente se tornam a maior prova para profissional e paciente de que tudo o que foi feito valeu a pena, além do que, essa é nossa maior alegria como cirurgiões, para mim pelo menos, em que considero o retorno financeiro uma consequência de um trabalho realizado com muita dedicação, atenção e carinho pelo paciente à minha frente.

O tema é bastante complexo, se você tem o problema sugiro conversar com um profissional adequado  para tirar suas dúvidas especificamente, mas mesmo assim, espero poder ter ajudado com o básico referente a tirar o véu da dita cuja cirurgia ortognática que ao meu ver é um procedimento fantástico, uma verdadeira evolução da ciência e tecnologia nos dias de hoje. Saiba mais em Cirurgiã Bucomaxilofacial em São Paulo.

Dra Maximiana

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Cirurgia Ortognática e o medo de sofrer no pós operatório PARTE I

Cirurgia Ortognática e o medo de sofrer no pós operatório PARTE I

Se você precisa de cirurgia ortognática mas está adiando a mesma já faz um tempo pois tem muito medo tanto do procedimento como dos dias que irão seguir após a cirurgia este artigo é para você.

O ser humano instintivamente tem medo do desconhecido, algumas pessoas sabem lidar melhor com isso que as outras. Poderia dizer que umas são mais aventureiras que as outras, no entanto quando o desconhecido se torna um pouco menos misterioso o medo tende a ir embora. Nesse post vou tentar explicar o que exatamente pode ocorrer com você no pós-operatório da cirurgia ortognática. Se você ainda tem dúvidas a respeito do que é a cirurgia ortognática, leia o post: “Cirurgia Ortognática” no blog.

Temos algumas formas de realizar a cirurgia ortognática, sendo dividida em Cirurgias da Maxila, Cirurgias da Mandíbula e Cirurgias Combinadas (maxila e mandíbula). Algumas considerações sobre o pós-operatório valem para todas as classificações e dizem respeito às restrições de dieta, restrições de esforço físico, edema, higiene bucal, possibilidade de sangramento e equimoses (manchas arroxeadas), dor, possibilidade de náuseas, outras que em geral abordarei neste post.

Dieta

Inicialmente o que vêm à mente quando pensamos em cirurgia bucal é a dieta. Realmente ela precisará ser especial, composta por alimentos líquidos ou pastosos por aproximadamente 60 dias, também deverá ser fria ou gelada nos períodos iniciais da cirurgia, geralmente os 5 a 7 primeiros dias após a cirurgia. Então resumindo, prepara o freezer com muito sorvete, açaí (se você gosta é claro), iogurtes, vitaminas, sopas frias. Se alimentar, mesmo que não seja a coisa mais gostosa do momento pós-cirúrgico, além de ficar sonhando com e imaginando alimentos mais consistentes, é extremamente importante, pois perda de peso é esperada mesmo se alimentando, quem dirá se não ingerir adequadamente todos os tipos de nutrientes necessários para uma dieta balanceada pós-operatória. É recomendável consulta com o nutricionista antes da cirurgia para reduzir as chances de enfrentarmos problemas com deficiências nutricionais e excessiva perda de peso.

Restrições de esforço físico

Durante todo o período de cicatrização óssea (aproximadamente 60 dias) não é recomendado que seja realizado nenhum tipo de exercício físico, pelos riscos que podem oferecer de queda e consequente perda do sistema de fixação (das placas e parafusos). Muitas vezes quando há falha da fixação com movimentação dos maxilares é necessário operar novamente o paciente. Atividades como limpeza de casa, levantar caixas ou objetos pesados, subir a pé ladeiras podem se tornar difíceis devido ao comprometimento metabólico de todo o organismo para a sua recuperação. É preferível ficar em resguardo durante todo o tempo recomendado por seu cirurgião.

Edema ou inchaço

Grande edema ou inchaço é esperado após a cirurgia ortognática. É sempre muito variável, alguns pacientes retêm mais líquidos que outros, mas além deste fator pessoal de cada um, o tempo de cirurgia e a extensão do procedimento também influenciam. Geralmente o paciente já sai do centro cirúrgico apresentando algum edema, que pode piorar nas primeiras 72 horas após a cirurgia. Ele é responsável pelo grande desconforto sentido no pós-operatório recente. Outra dúvida bastante comum, diz respeito ao tempo de permanência do edema na face.  Quando não é realizado nenhum tipo de manobra para drenagem facial em média o edema maior regride dentro de 3 a 4 semanas, enquanto algum edema residual pode permanecer por vários meses após a cirurgia. Lembrando que a reabsorção dos líquidos que causam o inchaço também é variável de paciente para paciente.

Higiene Bucal

A boca é naturalmente povoada por bactérias, que necessitam sempre estar em equilíbrio para não desencadearem doenças. Este equilíbrio é alcançado com a higiene bucal, através de escovação, fio dental e bochechos em conjunto. Com uso do aparelho fixo a higienização se torna difícil, após a cirurgia ortognática ela se torna um desafio. No entanto ela não pode ser negligenciada. A boca internamente estará com vários pontos (suturas), geralmente reabsorvíveis, ou seja, que caem sozinhos, porém a região do corte precisa se manter extremamente limpa para evitar infecções pós-operatórias. Imagine que logo após a cirurgia um pouco de sangue pode sair das feridas, grudando-se nos brackets do aparelho e nos pontos, após a alimentação, mesmo que seja pastosa, ocorre o mesmo com o alimento, ou seja, a sujeira que acumula na boca é intensa. Sabemos que o medo de escovar ou limpar uma área que está tão sensibilizada existe, no entanto deverá ser superado para que não ocorram complicações decorrentes da má higiene bucal.

Possibilidade de sangramento e equimoses

Como já disse no tópico anterior, algum sangramento pequeno e contínuo é esperado após a cirurgia. É recomendado que nos primeiros 2 a 3 dias o travesseiro seja forrado com uma toalha, pois durante o sono é normal manchar o mesmo com um pouco de sangue. Algumas vezes podem ocorrer sangramentos mais intensos, que geralmente ocorrem enquanto o paciente ainda está internado no hospital. A equipe de enfermaria geralmente consegue parar o sangramento, quando não o cirurgião responsável é chamado para atender o paciente, mas essa situação é uma exceção. Quando o paciente recebe alta, ele já tem condições suficientes para continuar a recuperação em casa. Manchas arroxeadas (equimose) podem surgir na face, mas assim como o edema são bastante variáveis de paciente para paciente.

Dor e dormência

Por incrível que pareça, a dor não é tão intensa como se imagina, o que incomoda mais o paciente geralmente é o edema e o desconforto para se alimentar por exemplo. Durante a cirurgia, alguns nervos que dão sensibilidade para a pele (toque), são manipulados, o que faz com que o paciente apresente dormência na face, mascarando a sensação dolorosa que se instalaria caso esses nervos não ficassem afetados no pós-operatório recente. Sobre a dormência, abordarei especificamente em cada tipo de cirurgia nos outros posts sobre o assunto. Ainda sobre a dor, geralmente analgésico e antiinflamatórios convencionais como dipirona e ibuprofeno são suficientes. Como o limiar de dor varia de paciente para paciente, em alguns casos, para pacientes que apresentam pouca tolerância à dor é normal prescrevermos medicamentos mais potentes como tylex, por exemplo. Temos observado que a dor não representa grande problema para os pacientes que se submetem à cirurgia ortognática.

Possibilidade de náuseas

Todo procedimento intra-bucal realizado sob anestesia geral apresenta risco de escape de líquidos e sangue para o estômago. Após a cirurgia o estômago é esvaziado com uma sonda (ainda sob anestesia geral), mesmo assim pode ocorrer irritação gástrica com a presença de sangue, o que faz com que o paciente apresente náuseas e até mesmo vômitos após a cirurgia. Além deste fator físico, as drogas utilizadas na anestesia geral também causam náusea no paciente após o procedimento. Náuseas sentidas após a alta hospitalar podem ser decorrentes dos remédios ingeridos no pós-operatório, da alteração de consistência da alimentação de sólida para líquida ou pastosa, ou pela fraqueza geral que o paciente pode sentir após a alta.

Fraqueza generalizada

Todo procedimento cirúrgico tem a capacidade de recrutar o organismo do paciente para a recuperação do tecido lesado (cortado). O metabolismo do paciente se altera, é um período de baixa da imunidade, pois as células estão preocupadas em cicatrizar o que foi alterado. É normal sentir fraqueza, é um período de repouso e recuperação, além de afastamento das atividades diárias como trabalho e esforços físicos, tudo isso visando ajudar seu organismo a se recuperar o mais rápido possível. A alimentação não deve ser negligenciada nesta etapa e se for necessário nutricionista deverá ser consultado como já citei acima.

Estas foram algumas considerações importantes que todo paciente que está disposto a realizar a cirurgia ortognática deve saber antes do procedimento. Continue acompanhando meu blog, nos próximos posts irei explicar algumas considerações específicas sobre o pós-operatório de cada tipo de cirurgia.

E lembre-se que com conhecimento, não há razões para ter medo.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia o próximo artigo desta série- Cirurgia Ortognática e o medo de sofrer no pós operatório PARTE II /

Espero poder ter ajudado, nos vemos em breve

Grande abraço

Dra. Maximiana

Posted by Dra. Maximiana Maliska in Cirurgia Ortognática, Todos